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Nossa viagem à Sardenha em família

  • Foto do escritor: danythass
    danythass
  • há 1 dia
  • 5 min de leitura
Quando penso na Sardenha, não é o mapa da viagem que me vem primeiro à memória. É uma cor.

Um azul que apareceu devagar: na vista de Olbia, no mar de Arbatax e, por fim, naquela água quase inacreditável de Cala dei Gabbiani.

Foram oito dias entre Olbia, Arbatax e Cagliari, com Romeo aos 6 anos. Chegamos procurando praia e descanso. Voltamos com a sensação de ter vivido um daqueles verões que continuam dentro da gente muito depois de as malas serem desfeitas.


A primeira noite em Olbia

Nosso voo chegou por Olbia, mas a parte mais longa da viagem começaria no dia seguinte. Em vez de seguir direto para Arbatax, escolhemos passar a primeira noite no alto, no Hotel Luna Lughente.

Estávamos cansados, ainda naquele estado em que o corpo chegou, mas a cabeça parece continuar viajando. Então vimos o mar da piscina. Ao longe estavam o porto, os barcos e uma faixa azul que parecia anunciar os dias seguintes.

“Uau, que azul! Parece que é isso que nos espera.”

Em Olbia, o primeiro azul da viagem.
Em Olbia, o primeiro azul da viagem.

O hotel foi uma pausa tranquila entre o voo e a estrada. Jantamos ali mesmo, dormimos cedo e deixamos Olbia passar como um prólogo: breve, bonito e suficiente para nos fazer sentir que as férias finalmente tinham começado.

De Olbia a Arbatax

Na manhã seguinte, seguimos para Arbatax. Foram cerca de duas horas e meia de estrada, com calor forte e muitos trechos de serra. Água gelada no carro, Romeo no banco de trás e a paisagem mudando pela janela.

Quando chegamos, por volta das duas da tarde, queríamos apenas largar as malas e encontrar o mar. Mas a primeira imagem da praia não era aquela que havíamos imaginado.


O mar que mudou diante dos nossos olhos


Praia de San Gemiliano com o mar agitado e céu nublado em Arbatax, na Sardenha.

Ventava muito.


A água estava agitada e a faixa de areia tinha recebido bastante material vegetal trazido pelo mar.


Depois de tantos meses imaginando uma praia azul e cristalina, confesso que senti uma pequena frustração.


Dois dias depois, parecia outra praia.


O vento diminuiu, o mar levou embora o que havia trazido e revelou uma água morna, transparente, quase parada.


Quando o sol batia, desenhos de luz se moviam sobre a areia.

Água cristalina na baía de San Gemiliano, em Arbatax, na Sardenha.






Foi uma das primeiras lembranças que a Sardenha me deixou: o mar não posa para nós.


Ele muda.


Às vezes, basta esperar um pouco para que uma paisagem revele aquilo que o primeiro olhar não conseguiu ver.



Seis dias no ritmo de Arbatax


Ficamos seis dias diante da baía de San Gemiliano. Mais do que uma hospedagem, o lugar se tornou o cenário repetido das nossas manhãs e dos nossos fins de tarde.






Vista da baía de San Gemiliano, com praia, palmeiras e montanhas, em Arbatax.

Os dias começavam com café da manhã e vista para o mar. Depois, escolhíamos entre fazer alguma atividade ou não fazer absolutamente nada. Havia tênis, yoga, caiaque, pequenos veleiros e stand-up paddle. Havia também espreguiçadeiras, sombra e o prazer de não olhar o relógio.


Danielle tomando um drink durante uma tarde no hotel em Arbatax, na Sardenha.

Romeo alternava o parquinho, a piscina e o mar. Nós alternávamos entre acompanhá-lo e simplesmente observar sua alegria.


À tarde, quase sempre voltávamos para a praia. A luz ficava mais suave, a água ainda estava morna e o dia parecia se alongar só para nós.


As refeições faziam parte desse ritmo sem ocupar o centro da viagem.


Pela manhã, o café demorado; no almoço, algo perto da praia; à noite, uma mesa tranquila, vinho e conversa.


O que ficou não foi um prato específico, mas a sensação de estarmos juntos, sem pressa para terminar.






O pedido de Romeo para voltar

Entre todas as atividades, o favorito de Romeo foi o pedalinho com escorrega. Pedalávamos até um ponto mais afastado, ele subia, escorregava e caía direto naquele mar transparente. Depois voltava para fazer tudo outra vez.

Passeio de caiaque nas águas calmas de San Gemiliano, em Arbatax.

Em um desses dias, ele disse que queria voltar ao mesmo lugar no verão seguinte.

“Quero voltar para cá no próximo verão.”

Crianças não fazem avaliações elaboradas de uma viagem. Elas apenas guardam aquilo que as fez felizes — e talvez esse tenha sido o comentário mais bonito de todos.


À noite, às vezes havia música, mágica ou alguma apresentação perto da piscina. Romeo assistia com os olhos atentos, mesmo quando não entendia todas as palavras. Depois caminhávamos até o quarto olhando o céu e tentando adivinhar qual seria o tom do mar na manhã seguinte.


É dessa caminhada que mais me lembro. Não da programação, mas de nós três juntos, cansados de sol, comentando o dia sob as estrelas.


Explorando a cozinha sarda fora do hotel

Em duas noites, saímos para jantar fora e provar um pouco da cozinha local.

Na Pizzeria da Scattu, em Tortolì, conhecemos os culurgiones: uma massa recheada com batata, fechada à mão em um desenho que lembra uma espiga. O sabor era intenso e reconfortante, daqueles que fazem a gente tentar encontrar comparações e desistir no meio da frase. Era melhor simplesmente comer.

Culurgiones: prato típico da cozinha sarda.
Culurgiones: prato típico da cozinha sarda.

Na outra noite, fomos ao Il Macellaio e dividimos uma carne servida sem cerimônia, no centro da mesa. Foram jantares simples, mas importantes para a viagem ganhar outros sabores além do sal do mar.


O dia em que o azul pareceu impossível

O passeio de barco pelo Golfo de Orosei foi a experiência que rompeu a rotina tranquila dos nossos dias em Arbatax.

Saímos pela manhã e navegamos por cerca de quatro horas, passando por paredões, pequenas grutas e trechos de costa que pareciam mudar de cor a cada curva. O barco batia sobre a água e o vento tornava o caminho intenso, mas tudo isso desapareceu quando chegamos a Cala dei Gabbiani.

Desembarcamos em uma praia de pedras brancas. À nossa frente, a água era tão transparente e tão azul que por alguns segundos ficamos apenas olhando.

Romeo recolheu algumas pedras nas mãos e veio nos mostrar como se tivesse encontrado um tesouro. Naquele instante, achei que ele tinha razão.


Há paisagens bonitas que admiramos e seguimos adiante.

Cala dei Gabbiani foi diferente.


Ela ficou comigo como uma imagem difícil de explicar sem parecer exagero.



Uma noite em Cagliari

Depois de seis dias em Arbatax, seguimos para Cagliari. A princípio, seria apenas uma noite antes do voo para Maiorca. Mas bastaram algumas horas para a cidade despertar vontade de ficar.

Deixamos as malas no Palazzo Doglio e saímos a pé. Encontramos ruas movimentadas, vitrines, mesas nas calçadas e o ar de uma cidade que vive perto do mar. Depois de tantos dias conduzidos pela praia, foi gostoso voltar a caminhar sem destino certo.

No Bastione di Saint Remy, vimos Cagliari do alto. O sol já estava mais baixo e a cidade parecia se abrir em direção ao mar.

Danielle e Romeo diante do Bastione di Saint Remy, em Cagliari, na Sardenha.

Jantamos em uma rua agradável perto da marina. Não anotei o nome do restaurante — e, desta vez, gosto que seja assim. A lembrança ficou menos como indicação e mais como cena: nós três escolhendo onde sentar, as luzes da noite e a sensação de que Cagliari merecia outra viagem.

O que eu traria para uma próxima viagem

Eu chegaria por Cagliari. Manteria um hotel/base por vários dias. Foi isso que permitiu que a viagem deixasse de ser uma sequência de deslocamentos e ganhasse uma rotina própria.

Voltaria para conhecer outros lados da ilha, faria mais passeios de barco e reservaria mais tempo para Cagliari. Mas não tentaria encaixar tudo. A Sardenha foi especial justamente porque, em muitos momentos, não havia nada para cumprir.

Havia apenas o mar, o calor e nós três.

O azul que ficou

Quando fecho os olhos e volto àqueles dias, lembro de um fim de tarde em que estávamos dentro da água calma. Não havia passeio, apresentação ou lugar novo. Só nós, sob o céu azul, nadando juntos.

Talvez seja isso que uma viagem faz quando se transforma em memória: os detalhes práticos perdem força e uma cena pequena passa a guardar tudo.


A Sardenha ficou em mim assim — como luz sobre a água, o riso de Romeo e uma vontade imensa de voltar.

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